Bem-vindos à nova dimensão... seqüenciador de sonhos online.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Ca-ca-ca-cara de quê?

É tenso. Você está correndo pelas decisões que precisa tomar. Tem certeza de que não pensou o suficiente naquela última jogada, mas tem a mesma certeza de que não haveria tempo pra isso. Resta-lhe aquele borrão de mundo que passa batido, pra onde quer que se olhe.

Começou como um blefe. Nada complicado de se fazer, quando se tem poucas fichas à mesa. Difícil não suar, numa hora dessas. Cinqüenta a cinqüenta, sabe? Risco escroto, calculado assim… frio. A cabeça estava entrando no esquema pra pensar desse jeito, sem você nem notar. Números, em tudo o que se vê. E cada escolha deixa de ser “aposta” pra virar “operação”. Eufemismo estúpido.


Cards, de ~JohnnyP3 no deviantART

Mas foi blefe só até a virada. Ali, dois viraram três e a meia chance disparou. Ainda não era tudo, mas virou muita coisa. A corrida desabalada virou impulso para cada nova decisão. Você não pensa o suficiente porque, no fundo, não precisa. Ali, pensar seria ter medo demais, por estar tão longe.

Tudo”. Acabou de sopetão, com o barulho das fichas indo pro meio da mesa. Todos ainda em jogo. Todas as cartas abertas, menos uma… as pernas enfraqueceram, por um instante. Chronos tinha a melhor mão e, ali, estava valendo tudo. A tríade sempre foi uma “operação” traiçoeira. Que perfeito que nada, número amaldiçoado.

Uma eternidade, até o river… percorrendo os segundos antes da última chance. “Que seja”, você pensa. “Pode vir”. Treme, quando ela chega. “Fullen, valetes com quatros.”

E o impostor vive para ver mais um dia.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Simpatia pelo…

Eu sou o incomum, o diferente, o novo. Eu sou mais que meia dúzia de contestações, fui uma das primeiras. Eu sou o surto do filho, explodindo até o quarto sem bater a porta. Eu fui essa porta, abrindo para mil caminhos. Fui a mão e o punho, hoje sou outra dor e talvez um punhado de sorrisos… todos sádicos.

Sou o leito de seu salgado pranto, percorrendo as paisagens insólitas da realidade velada, até o lago das almas. Sou o vento de um rasante da sanidade alheia, brincando de errar o chão. Percorro o calor corado da alva face do mundo, despencando de olhares sem alento.

E no fim de tudo, sou o tolo. Me faço bufão. Contesto a lógica, aquebranto a razão. Despenco-me em mil pedaços, cara no chão. Sou fruto e flor de rimas, métrica e perdas. O percentual de um desvio-padrão torto e sem sentido para linguagem alguma. E quem há de dizer que não é esse o momento mais importante?


jester, de ‘aeterne, no deviantART.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Pq é 11/01, mas tá quente pra burro…

 
Há 28 anos, às 18H15, o Universo pode ter cometido um grande erro. Eu só tô tentando acertar tudo, pelo caminho.

Moral do dia: “O tempo não é eletivo”. A regra é curtir muito, o dia inteiro, povo! Mesmo sendo segunda-feira.

Valeu por mais um ano.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Orgásmico

- É simples… se chamassem de Ponto Grafenberg, soaria feião… tem que ser algo sensual, saca?

- Não, não saquei… nunca achei letra nenhuma sensual, na verdade.

- Nem o “S”? Pq tem curvas, soa interessante…

- Cara, você tem algum problema… tá falando em transar com o alfabeto, agora!

- …  mas foi você quem lembrou do G. Só isso.

- Esquece o G, então.

- Tá bom. Mas como eu vinha dizendo, a gente tava no cinema e aí ela…

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Três ao cubo *do matemático*

- O quê você acha?

Ela observava atenta, mas com aquele ar distante que sabia que o deixava apreensivo. Parecia não ter ouvido a pergunta e por um m0mento ajeitava os cabelos, como se deixá-los cobrir os ombros não fosse artimanha de sedução. Mas continuava olhando, sem nada responder.

- Eu acho que ficou legal… bem a sua cara, mesmo.

Os olhos sagazes encontravam os dele com o firme tom de “e como é a minha cara”. ao que o rapaz por um momento quase se acanhou, mas em seguida firmou os pés como quem permaneceria resoluto, em sua posição. Ela riu, talvez da empáfia.

- Sei lá, tava a fim de demonstrar isso, de fazer algo e… – calou-se, ao que o dedo dela lhe tocou os lábios.

- Cala a boca e me beija?

E ali, no silêncio da apreciação, houve o primeiro beijo. O universo explodia, antes de começar a se expandir.

 
Fractal, de ~ZeonFlux no deviantART.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Culpa de quê? *berram os prisioneiros*

Culpa do crime,
culpa do ato,
culpa do erro,
culpa do fato.

Culpa da gula,
culpa da fome,
culpa da infâmia,
culpa da morte.

Culpa da falha,
culpa do engodo,
culpa do roubo,
culpa do engano.

Culpa até da culpa,
culpa da inveja,
culpa da vida,
culpa até da alegria.

Culpa de ser,
culpa de estar,
culpa de poder,
culpa de parar.

Crime, ato, erro, fato…
Gula, fome, infâmia, morte…
Falha, engodo, roubo, engano….
Culpa e inveja. Vida e alegria.

Ser, estar… poder parar.

E eu que só queria comer um bolinho.

"Alô, Troll? Aqui é a sua criança interior. Eu fugi e acabo de assaltar uma loja de bebidas!" *sirenes* "Opa, preciso ir!"

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Aniversário *sem velas acesas*

- Taí... um ano e nem parece. Dá pra voarem mais 10 desses, por nós. – Ele falava em um tom quase de nostalgia, com aquele jeito agradável de manhã fria. – O resto a gente curte, leva, reacende... melhora. Sempre melhora.

- Do quê você está falando, hein? – Ela trazia a impaciência de quem aguardava o próximo movimento, na voz. – Parece que às vezes você se perde em alguma coisa e sai daqui.

Ele apenas sorria de volta, com o jeito calmo que lhe era incomum. – Não se lembra? Ou não quer lembrar? – A alfinetada vinha bem do jeito que ela esperaria, dele. Continuava muito calmo, apesar de tudo. Era perturbador, por si só. – Tô demorando, não é?

- A gente um dia vai cronometrar. Aí já era pra você. – O deboche era típico, enquanto observavam o imenso tabuleiro abaixo deles. Éter criara a luz para que seus irmãos percorressem aquelas linhas em seus impulsos de criação. Érebo e Nix delineavam cada curva do mundo. Tudo aquilo que surgira do Caos, em uma harmonia estranha, em partes dissonante.

- O que acha? – Cronos percorria o mundo novo com jeito quase de criança, sem saber que jamais o seria novamente, e ela observava-o, quase ignorando as peças que Uranos movia. – Vamos, então. Depois sou eu que me demoro.

Ela observava e ria. – Jura? – E de um movimento, tomava-lhe a Rainha. – É apenas justo, não?

- O que quer que eu diga? – Observava o tabuleiro, incrédulo.

- Você me diz feliz aniversário. E eu… – Abria seu sorriso mais sacana. – … te digo xeque-mate.


Gaia, de ‘CrisVector no deviantART.

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Pq hoje faz um ano de algo muito especial e nada datado. Nem com hora ou dia pra acabar.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Expectativas – Prólogo *páginas de um diário*

A paisagem era estranha. Aquela trilha tão larga, ladeada e recoberta de pedras que soavam às paredes do monte escavado cada batida de seus cajados, no chão. O ar úmido, quente, que lhes grudava as vestes na pele e parecia fazer pesar mais o final da longa jornada. O rapaz mais jovem, à frente, seguia com ar de certa resolução ao rosto. Os dedos calejados tentavam ajeitar uma mecha encaracolada para fora da testa, mas podia sentir os cabelos gotejando pelas laterais do rosto. Por um momento, lembrava-se das lições de sua infância.

- Parece o inferno… – Comentava, olhando por sobre o ombro para seu ajudante, um homem já um pouco mais velho, de pele clara e com as primeiras marcas da idade surgindo aos cantos dos olhos.

- O Hades em nada se assemelharia a isso, Lecrino. – A voz era grave e austera, como sempre, mesmo com a respiração entrecortada pelo esforço daquela última subida. – E mesmo que fôssemos descer até lá, eu não teria dispensado o carro de boi que seu pai nos ofereceu.

- Hahahahahahahahahaha! Não seja tolo, homem. Nossos bois fazem bem mais por todos nós onde estão, em seus pastos e nos arados. E tivemos carona por mais da metade do caminho, afinal. – Ele voltava a apertar o passo, agora que tinham chegado ao final da última ladeira. Podia sentir o calor aumentar, só de observar o castelo pela primeira vez.

O entardecer espalhava seu alaranjado pelo vapor das altas torres da imensa construção. As muralhas de pedra e ferro se projetavam em tonalidades variadas, pontuadas a cada 200 metros por algum artefato de guerra que Lecrino esforçava-se para lembrar-lhes os nomes, às vezes em vão. Notava cada um deles como grandes bestas debruçadas por cima das balaustradas, como se prestes a saltar, garras afiadas, na direção de qualquer força opositora que se aproximasse.

- Nossa… – Ele não conseguia evitar a pausa na marcha, ao que se dava conta de finalmente estar ali. Ao longo dos anos, deixara a fazenda da família para conhecer pequenas cidades mercantes, portos, mas não aquilo. Nem mesmo a visita à Capital Leste, Kayern, com suas impressionantes máquinas a vapor, o havia preparado para aquilo.

- O carvão das minas sob as colinas, ao pé das montanhas gêmeas, ergueu tudo isso. Longa vida ao Rei. – Erimath, o ajudante, deixava escapar, com certo tom de ironia. Não suportava a coroa, muito menos seus nobres. Fôra versado em todos os protocolos da côrte, para honrar a tradição de gerações servindo à alta nobreza. No entanto, estava ali ao lado de um filho de
fazendeiro, como seu pupilo. E orgulhava-se mais disso do que das “conquistas” de seus antepassados.

- Não seja turrão, meu bom homem. Nossos ancestrais teriam orgulho de ver-nos ingressando o Palácio pela porta da frente. E é o que pretendo fazer. – A ansiedade transparecia à voz do jovem. Uma das mãos apoiada ao cajado enquanto a outra percorria as vestes até a pequena gaiola de metal que pendia de sua mochila.

Tinha certeza de que o Rei quereria vê-los, os três.

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Aproveito o post, ainda, para agradecer por mais uma condecoração dada a este Palácio, dessa vez pela amiga Tyr: