- Você veio... tanto tempo eu esperei... achava que não havia mais como. Que poderia me ter esquecido, amado. Que poderia não mais alcançar-me e nossas juras de tantas vidas tinham nos abandonado. Me desculpe, meu querido Troll, se eu quase desisti de olhar em teus olhos uma vez mais! Não me deixe só, aqui, por favor levanta e abre teus olhos nesse cair da noite! - O corpo cansado dela desabava sobre aquele tronco imenso, azulado, em meio às súplicas por um suspiro que fosse, dos lábios dele. Quantas batalhas e inimigos não haviam superado juntos, no passado! Ele jamais a abandonara e por tantas vezes se colocara no caminho de qualquer agressor que poderia feri-la. Não haviam tido tempo sequer de conversar e ela sentia tanta falta daquela voz grave e forte do imenso guerreiro. - Por favor, não me deixa sozinha aqui, não de novo... eu não posso mais, meu guardião. Meu amado e feroz caçador. Eu... eu preciso... de você.
Em meio ao soluçar incontido, ela sentia uma mão tocar-lhe as costas e enfim sorria, buscando aqueles olhos de um verde tão profundo e deixando as lágrimas ganharem um tom bem diferente, enquanto se acomodava sobre aquele corpo imenso, marcado e ferido. - Eu nunca a deixei, minha bela dama. Sempre a busquei, mesmo quando não sabia exatamente a quem buscava. - Ele tocava aqueles cabelos e deixava seus dedos grosseiros deslizarem pelo toque tão macio deles... sorria para ela, com os olhos imensos fitando-a, tão feliz de finalmente poder ouvir a voz daquela que tanto sacrificara para encontrar. - Me desculpe se eu demorei, amada Sidhe. Mas precisava antes descobrir quem eu era, para entender o que meu coração sempre buscara, desde o começo. Mas nossas juras, essa promessa que nos une... jamais se apagou... hoje eu entendo porque meu peito estivera sempre tão incompleto. - Aquela grande mão azulada tocava o peito da elfa e o Troll apenas sorria, de um modo tão fraco, sentindo suas forças se esvaindo aos poucos. - Eu não posso continuar, agora... meu corpo se recusa a obedecer... eu... me desculpe, amada Sidhe...

- Por ti, meu nobre guerreiro... - Mordia o lábio inferior, contendo um urro de fúria e deixando a lâmina faiscar contra o chão, correndo para punir aqueles agressores. Contaria um corpo para cada ferida de seu amado. E tinha certeza que não haveriam corpos o suficiente.
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Ao final daqueles riscos de sangue, o anfitrião ainda desenha traços pelas paredes da caverna, sabendo que nunca conseguirá escrever o suficiente, deixando seu imenso punho direito, de pedra, continuar a missão de passar a quem quiser ler o significado de cada uma daquelas batalhas. Mas deixava-se sorrir, para aqueles que tão longe haviam chegado dentro de sua caverna.
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PS1: imagem - Melly de *Hito76
PS2: esse conto é uma continuação do post Sonhos de Outrora
PS3: para quem esperava o segundo capítulo do livro de Lara, já está no blog http://olhosdelara.blogspot.com
6 comentários:
Passei para desejar-lhe um bom final de 2007 e um bom ano de 2008.
Aproveito para LHE pedir que participe na blogagem colectiva que se está a realizar hoje, dia 17, em prol da menina Flávia
http://flaviavivendoemcoma.blogspot.com/
Li os post anterior com o comecinho da história e achei tudo tão magico que resolvi dar uma comentadinha básica! Não sou crítica literária, mas posso dizer q é um lindo conto! Muitas coisas mágicas rondam as palavras nele contidos.
Aproveitei e fui ler os "Olhos de Lara".
Só tenho uma coisa a dizer sobre: S&M? UAU!
Eis que meus olhos deslumbram a continuação da história do casal. Quando o Troll cai enfraquecido das batalhas enfrentadas para resgatar sua amada. Prantos são derramados pela Bela, na incerteza de ainda possuir o amado guerreiro e quando este dá-lhe sinal de que ainda vive e que ainda a ama, Em furiosa guerreira ela torna-se. Uma amazona capaz de esquecer os ferimentos e o tamanho de seu frágil corpo. Quão belas são estas lembranças meu amado Troll! Quão fortes são as recordações das juras eternas e das batalhas que ambos vivenciamos.
Mantenha a sua espada à mão, Guerreiro! Sua Amazona nunca o abandonará.
Está inspirado mesmo,
lindo conto deste
nobre guerreio e bem romântica!!
Beijos e flores!!!
DRA BRIDGET
Não quero críticos literários, aqui, que eles são normalmente uns chatos de galochas. Hahahahahaha! Prefiro as opiniões sinceras e mesmo a crítica construtiva, à formalidade acadêmica. Sobre Sonhos de Outrora, a princípio eu havia dito a mim mesmo e a algumas pessoas que me cobravam uma continuação que ele seria apenas aquele primeiro texto, pois gostava demais dele e achava-o completo por si só. Mas a inspiração, quando bate, não quer saber o q planejamos. Simplesmente rolou e eu gostei do resultado. Sobre Lara e o mundo BDSM, esse é um lado meu que andou tão inexplorado nos últimos dois anos que se tornou inevitável q borbulhasse de volta, incontrolavelmente. Hahahahahaha!
MINHA DOCE TYR QUENTALË
Ah, amada, o quão árduas não foram nossas batalhas, até hoje, e quantas mais virão! Nesse amor de outras vidas, que traz na alma recordações de momentos que parecem repetir-se a cada uma delas. Sim, doce, barda, minha espada estará sempre à mão, sempre em riste, aguardando o momento de girar sobre a cabeça em golpes violentos e urros furiosos. Nada, minha amazona, pode parar a força desses nossos olhares e frear a verdade desse sentimento. Eu estarei sempre ao teu lado e lutaremos juntos por nossa união, nosso amor e nossa família. Amo-a, minha guerreira, elfa, Sidhe, esposa e amante.
NANDA NASCIMENTO
Esses ímpetos de inspiração e loucura são os melhores, não? Quando eu comecei a escrever, não queria mais parar. *rs* Mas claro q toda inspiração tem um tamanho certo, vai morrendo onde o conto precisa.
Caro e amado Troll,
Nossas batalhas sempre são árduas e por mais que tentem nos subjugar, elas não conseguem. Pois me alimentas com tua força e alimento-te com meu amor. Sei que muitas vezes algumas lágrimas parecerão mais fortes, assim como sentimenros nossas gargantas apertarem-se de tal forma que há de nos faltar ar. Mas o brilho em nossos olhos inflama-se, nossa obstinação queima e os punhos cerram-se de tal forma que nossos inimigos, qualquer que sejam eles, hão de prostrar-se ao chão e implorar perdão.
Não desistas jamais meu amado guerreiro, meu Rei, meu servo e Senhor.
De tua e eternamente tua,
Sidhe
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