Era noite. O cheiro do salão era um misto de suor, medo e tensão. Todos se entreolhavam e percorriam as bainhas de suas armas com os dedos quase trêmulos, sentindo o couro frio, sem oferecer qualquer conforto. Suas lâminas ainda guardadas, para que o brilho não lhes entregasse a cobertura, naquelas sombras. Em alguns, a expressão apenas de medo. Em outros, um tipo de ansiedade quase suicida. Os que queriam que acabasse logo.
O primeiro sinal lhes roubava o fôlego e aumentava o silêncio quase opressor. Estava chegando. Tanto terror antes e em nada se comparava ao frio que agora lhes tomava os ossos, ameaçando congelar cada um daqueles guerreiros bem onde estava. Um som gutural, um rosnado baixo, anunciando que a besta aproximava-se. Em poucos instantes, naquela imensa nave, faltaria ar não apenas pelo respirar arfado de cada um… só agora percebiam o real tamanho do que haviam decidido enfrentar.
Os olhos dourados emitiam o brilho agourento do entardecer. Todos aqueles bravos desembainhavam suas armas e disparavam em carreira furiosa, como se em direção à glória ou à própria morte. Em cada grito, o desespero de ir lutar contra algo maior que a vida. E nenhum daqueles que mergulhou nas presas do desafio deu qualquer segundo de atenção às próprias costas… ou ao não-tão-bravo que fugira.
Ficaram os que não esmaeceriam, pena em punho. E, cada um com sua folha, começaram a escrever. Sua missão: matar a fera em duas horas.
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Atenção, senhoras e senhores, e perdoai a mim, o tolo, a quebra ligeira do protocolo. Ouvi e atentai ao que o nada ilustre bufão vos traz. Pois justiça alguma haveria não decidisse o Rei, em revelia, vir honrar ao próprio olhar.
Pois ouçam, súditos e visitantes, e saibam de outros reinos que os olhos do Troll agradam. Há sempre o que ler, o que descobrir, o que revelar. E por mais que a todos homenagear seja impossível, vem este selo indicar quem o Rei ache (e aqui, perdoai a rima tosca) imperdível.
Alice Lupin
Caldeirão da Bruxa
Casa da Sisa
Devaneios de um qualquer
Inspirar-Poesia
Macaires
Fê
