Bem-vindos à nova dimensão... seqüenciador de sonhos online.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Aniversário *sem velas acesas*

- Taí... um ano e nem parece. Dá pra voarem mais 10 desses, por nós. – Ele falava em um tom quase de nostalgia, com aquele jeito agradável de manhã fria. – O resto a gente curte, leva, reacende... melhora. Sempre melhora.

- Do quê você está falando, hein? – Ela trazia a impaciência de quem aguardava o próximo movimento, na voz. – Parece que às vezes você se perde em alguma coisa e sai daqui.

Ele apenas sorria de volta, com o jeito calmo que lhe era incomum. – Não se lembra? Ou não quer lembrar? – A alfinetada vinha bem do jeito que ela esperaria, dele. Continuava muito calmo, apesar de tudo. Era perturbador, por si só. – Tô demorando, não é?

- A gente um dia vai cronometrar. Aí já era pra você. – O deboche era típico, enquanto observavam o imenso tabuleiro abaixo deles. Éter criara a luz para que seus irmãos percorressem aquelas linhas em seus impulsos de criação. Érebo e Nix delineavam cada curva do mundo. Tudo aquilo que surgira do Caos, em uma harmonia estranha, em partes dissonante.

- O que acha? – Cronos percorria o mundo novo com jeito quase de criança, sem saber que jamais o seria novamente, e ela observava-o, quase ignorando as peças que Uranos movia. – Vamos, então. Depois sou eu que me demoro.

Ela observava e ria. – Jura? – E de um movimento, tomava-lhe a Rainha. – É apenas justo, não?

- O que quer que eu diga? – Observava o tabuleiro, incrédulo.

- Você me diz feliz aniversário. E eu… – Abria seu sorriso mais sacana. – … te digo xeque-mate.


Gaia, de ‘CrisVector no deviantART.

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Pq hoje faz um ano de algo muito especial e nada datado. Nem com hora ou dia pra acabar.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Expectativas – Prólogo *páginas de um diário*

A paisagem era estranha. Aquela trilha tão larga, ladeada e recoberta de pedras que soavam às paredes do monte escavado cada batida de seus cajados, no chão. O ar úmido, quente, que lhes grudava as vestes na pele e parecia fazer pesar mais o final da longa jornada. O rapaz mais jovem, à frente, seguia com ar de certa resolução ao rosto. Os dedos calejados tentavam ajeitar uma mecha encaracolada para fora da testa, mas podia sentir os cabelos gotejando pelas laterais do rosto. Por um momento, lembrava-se das lições de sua infância.

- Parece o inferno… – Comentava, olhando por sobre o ombro para seu ajudante, um homem já um pouco mais velho, de pele clara e com as primeiras marcas da idade surgindo aos cantos dos olhos.

- O Hades em nada se assemelharia a isso, Lecrino. – A voz era grave e austera, como sempre, mesmo com a respiração entrecortada pelo esforço daquela última subida. – E mesmo que fôssemos descer até lá, eu não teria dispensado o carro de boi que seu pai nos ofereceu.

- Hahahahahahahahahaha! Não seja tolo, homem. Nossos bois fazem bem mais por todos nós onde estão, em seus pastos e nos arados. E tivemos carona por mais da metade do caminho, afinal. – Ele voltava a apertar o passo, agora que tinham chegado ao final da última ladeira. Podia sentir o calor aumentar, só de observar o castelo pela primeira vez.

O entardecer espalhava seu alaranjado pelo vapor das altas torres da imensa construção. As muralhas de pedra e ferro se projetavam em tonalidades variadas, pontuadas a cada 200 metros por algum artefato de guerra que Lecrino esforçava-se para lembrar-lhes os nomes, às vezes em vão. Notava cada um deles como grandes bestas debruçadas por cima das balaustradas, como se prestes a saltar, garras afiadas, na direção de qualquer força opositora que se aproximasse.

- Nossa… – Ele não conseguia evitar a pausa na marcha, ao que se dava conta de finalmente estar ali. Ao longo dos anos, deixara a fazenda da família para conhecer pequenas cidades mercantes, portos, mas não aquilo. Nem mesmo a visita à Capital Leste, Kayern, com suas impressionantes máquinas a vapor, o havia preparado para aquilo.

- O carvão das minas sob as colinas, ao pé das montanhas gêmeas, ergueu tudo isso. Longa vida ao Rei. – Erimath, o ajudante, deixava escapar, com certo tom de ironia. Não suportava a coroa, muito menos seus nobres. Fôra versado em todos os protocolos da côrte, para honrar a tradição de gerações servindo à alta nobreza. No entanto, estava ali ao lado de um filho de
fazendeiro, como seu pupilo. E orgulhava-se mais disso do que das “conquistas” de seus antepassados.

- Não seja turrão, meu bom homem. Nossos ancestrais teriam orgulho de ver-nos ingressando o Palácio pela porta da frente. E é o que pretendo fazer. – A ansiedade transparecia à voz do jovem. Uma das mãos apoiada ao cajado enquanto a outra percorria as vestes até a pequena gaiola de metal que pendia de sua mochila.

Tinha certeza de que o Rei quereria vê-los, os três.

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Aproveito o post, ainda, para agradecer por mais uma condecoração dada a este Palácio, dessa vez pela amiga Tyr:

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Chimeras em papel *e algo mais*

Era noite. O cheiro do salão era um misto de suor, medo e tensão. Todos se entreolhavam e percorriam as bainhas de suas armas com os dedos quase trêmulos, sentindo o couro frio, sem oferecer qualquer conforto. Suas lâminas ainda guardadas, para que o brilho não lhes entregasse a cobertura, naquelas sombras. Em alguns, a expressão apenas de medo. Em outros, um tipo de ansiedade quase suicida. Os que queriam que acabasse logo.

O primeiro sinal lhes roubava o fôlego e aumentava o silêncio quase opressor. Estava chegando. Tanto terror antes e em nada se comparava ao frio que agora lhes tomava os ossos, ameaçando congelar cada um daqueles guerreiros bem onde estava. Um som gutural, um rosnado baixo, anunciando que a besta aproximava-se. Em poucos instantes, naquela imensa nave, faltaria ar não apenas pelo respirar arfado de cada um… só agora percebiam o real tamanho do que haviam decidido enfrentar.

Os olhos dourados emitiam o brilho agourento do entardecer. Todos aqueles bravos desembainhavam suas armas e disparavam em carreira furiosa, como se em direção à glória ou à própria morte. Em cada grito, o desespero de ir lutar contra algo maior que a vida. E nenhum daqueles que mergulhou nas presas do desafio deu qualquer segundo de atenção às próprias costas… ou ao não-tão-bravo que fugira.

Ficaram os que não esmaeceriam, pena em punho. E, cada um com sua folha, começaram a escrever. Sua missão: matar a fera em duas horas.

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Atenção, senhoras e senhores, e perdoai a mim, o tolo, a quebra ligeira do protocolo. Ouvi e atentai ao que o nada ilustre bufão vos traz. Pois justiça alguma haveria não decidisse o Rei, em revelia, vir honrar ao próprio olhar.

Pois ouçam, súditos e visitantes, e saibam de outros reinos que os olhos do Troll agradam. Há sempre o que ler, o que descobrir, o que revelar. E por mais que a todos homenagear seja impossível, vem este selo indicar quem o Rei ache (e aqui, perdoai a rima tosca) imperdível.


Alice Lupin
Caldeirão da Bruxa
Casa da Sisa
Devaneios de um qualquer
Inspirar-Poesia
Macaires

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Dois abstratos *em suspiros de prazer*

Pegou a palheta e encheu-a de tinta e poesia. Brincou um pouco com os pêlos do pincel pela própria pele, meio que dançando ali, à frente da tela em branco. Respirava fundo, suspiros de criadora e de deusa, os olhos fechados. Por sobre as pernas nuas, o macio toque daquela pluma, repleta de possibilidades, subindo-lhe às curvas com o seu jeito travesso.

Não dava pra saber como o tempo passava, em cada nova pincelada. Traços de cor e vida percorrendo o painel alvo. Um desenho que demoraria a se revelar, porque era assim que ela era. Aos olhos, mil paisagens tentando se insinuar por aquele espaço. Usava muito verde, como seus olhos que por vezes esgueiravam-se por olhares de canto, com jeito de ninfa. De poucas cores, misturava cada tonalidade exatamente como queria.

Por vezes dava espaço aos azuis, como do fino tecido que cobria-lhe a pele, quase transparente. Esvoaçavam como a tinta fingia fazer, pela tela. Parecia perdida, ou perdia-se, inebriada em tantas imagens que ninguém mais poderia compreender. Soltara-se, toda, tronco, braços, tecido, madeira e cabelos, e assim por vezes rodopiava, como se atingida por uma lufada de vento mais forte, que adentrava-lhe a janela. Cada vez que mergulhava o pincel no balde d’água, ria solto, suave, bela.

Passou por tantos marrons e castanhos, que pareciam deslizar para a imagem direto de seus cabelos, ficando mais claros como sua pele. Deu pequenos toques de realce, da cor e delicadeza de seus mamilos, em meio a suspiros que eram mescla de prazer e melancolia. Buscava o ar como se para conter-se, apenas um pouco, e entreabria seus lábios perigosos de sereia.


Water nymph, de ~BloodSorceress no deviantART.

- Vermelho… – a voz soava como nada que se pudesse ter ouvido antes e trazia toda sorte de arrepios, dos mais temerosos aos mais lascivos. O pincel mergulhava na água, solitário, e ela fitava a tela longamente. Novas tintas na palheta, enquanto seus dedos, tão delicados, percorriam a madeira, criando tonalidades de tão fortes, perigosas.

A mão manchada daquele sangue não tinha pena da tela nem de suas belas cores. Agredia a paisagem surreal com suas curvas de insinuante abstração. A respiração cada vez mais intensa, enquanto rasgava aquela imagem até achar-lhe a carne. Explodia em movimentos, quase revolta, como se prestes a rugir para a tela. Arfando no que jamais pareceria, embora fosse, seus últimos retoques.

Parou. Respirou. Recedeu… e só então olhou-me de frente. Suspirava de prazer e satisfação, enquanto se virava para mim, tão suja de tinta, manchando os cabelos daquele rubro, enquanto os ajeitava para longe dos olhos. Veio dando cada passo daquele jeito rebolado, quase felina, e riu.

– Se eu não me sujo, não vale a pena... o quê achou? - E eu, sentado e tolo, tentava ver-me naquele retrato. Ela deve ter percebido a minha confusão. – Bobo. – E veio até mim, em tantas cores, repleta de possiblidades…

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Serenata de sombras *bailam pirilampos*

Sentia o lugar à sua volta, abrindo um sorriso discreto. De longe seria um idoso, apesar do cajado de cedro que trazia em uma mão. As brancas areias, sob o céu nublado, não queimavam-lhe os pés, mas ainda o aqueciam, em seu estranho abraço por entre os dedos. O vento, úmido, por vezes fustigava a pele com finos grãos daquele solo que conseguiam caminho pelo meio das vestes. O longo robe balançava a cada rajada mais forte, mas aqueles grãos não eram incômodo. Pensava neles como carícias.

Por isso tudo, sorria. Pela sensação que só ali tinha, de que a terra tentava tragá-lo, para a segurança de que só os sepultos partilham. Ao menos alguma opção de descanso lhe era dada, ainda que jamais fosse aceitá-la, sem algum excelente motivo.

A mão apertava-se mais firmemente ao redor da madeira, com aquela mudança da brisa. Os olhos aguçavam-se e percorriam a paisagem, em busca da presença que sentia. De uma lufada mais desafiadora, o capuz era jogado para trás, revelando os cabelos quase brancos de tão loiros, do jovem rapaz. O sorriso mudava de tom e ele abaixava-se lentamente, tomando um punhado daquele lugar, com a mão. Deixava alguns grãos escorrerem pelos dedos e atentava à forma como caíam ao chão, em espirais.

- Mostra-te…

Apenas o bater das ondas respondia, ao longe. Um ritmo que ia aumentando, do espumar contra as pedras. Pareceria peripécia do vento, mas ele estava certo de que ouvia respostas, no arrastar do mar por sobre a areia. Aquele som de folhas de papel deslizando, umas por sobre as outras. E nele, por vezes o de algumas que rasgavam.

- MOSTRA-TE!

Uma onda quebrava tão forte que mesmo àquela distância ele sentia o salpicar da água gélida, ao rosto. O ar assobiava, como se quisesse arrancar-lhe o robe, e a ponta do cajado já desenhava trilhas incandecentes pela areia. Verdes, brilhantes, como os olhos do feiticeiro se iam tornando, pouco a pouco.

Era imenso, o dragão-mundo, com aquelas escamas que reluziam e refletiam sobre ele a luz de um sol que não estava ao céu. Aquele ser gigantesco fulgorava, erguendo-se do mar frio na ameaça de arrastá-lo para o fundo. Era tão velho quanto imponente, como quem o desafiava teria de se tornar.

Mas o bruxo tomara, ali, uma decisão. Seria grande, fulgoraria… até ficaria velho. Mas nunca seria sua, aquela presença tão fria. Segurou firme o cajado nas duas mãos e de toda magia que lhe fora dada, fez surgir todo calor que poderia.

Já era invencível… mas agora lutaria para ainda ser ele mesmo.


Six Senses, de Kirsi Salonen.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Bem-vindos à nova dimensão… *soa a Voz*

Bem-vindos. Vocês adentram as vistas craniais da psicogênese. Este é o lugar fora de tempo e espaço. Não temam, pois sou apenas a manifestação vocal de seus sonhos eternos. Sou como a água, o ar, o próprio fôlego. Não temam.”

E foi após estas palavras que o Rei deste Palácio teve seu primeiro contato com a obra do holandês Arjen Lucassen. As linhas são o começo de uma saga fantástica do projeto Ayreon, narrada em dois CDs: Adentrando o Castelo Elétrico. Soa-lhes familiar?

Em sua coletividade, todas as ‘Óperas Rock’ do grupo Ayreon narram a evolução humana como vista por uma série de terceiras-pessoas: desde o último homem, sozinho, em uma colônia marciana, revivendo o passado através do “Seqüenciador de Sonhos”, até tantas menções a uma raça alienígena que teria povoado a Terra para estudar algo muito valioso que um dia perdeu – sentimentos.

Com o fechamento de um ciclo iniciado com A Experiência Final, indo até os discos A Equação Humana e 01011001 (tão bons quanto a Jornada), Arjen despediu-se de Ayreon para dar vida a um novo projeto: Guilt Machine. Não consigo parar de ouvir, desde quinta-feira. Então essa manhã me senti na vontade de fazer justiça ao verdadeiro criador, que abriu aos olhos do Rei Troll os portais nucleares do Palácio Elétrico.

A trilha sonora, aliás, abre com Guilt Machine e segue com Ayreon. Espero que gostem, como sempre.

Album artwork e letras: Green and Cream”, in On This Perfect Day – Guilt Machine

 

 

Por último, venho avisar que agora estou também postando junto à sempre deliciosa Poisongirl, no blog Prolixia. Boa leitura e nos vemos – também – por lá.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Golem no divã *via receituário*

Acordava aflito, com a mão sobre o peito, fingindo que tinha algo a agarrar, ali. Reflexo involuntário de quem teve coração, algum dia. Os dedos de frio metal deslizando, arranhando o próprio peito de pedra. Era Pedro, por causa disso. Se tinha outro nome antes, não se lembrava mais. Se tinha sonhado algo pavoroso, para acordar tão bruscamente, também não sabia. Mas provavelmente não. No sentido que provavelmente um computador não sonha com seus arquivos, durante sua defragmentação.

Erguia-se, gigante, grande demais para lembrar como era se levantar sobre pernas. O que quer que o sustentava, em nada lembravam os músculos de outrora. E aqueles certamente não rangiam tanto a cada passo. A quem via e ouvia, talvez parecesse uma dificuldade enorme, mas não era. Simplesmente ainda se lembrava como caminhar e o fazia quase naturalmente. Pequenos pedaços, placas, porcas e parafusos que ia perdendo pelo caminho, caíam só porque não eram mais importantes. Mas não o deixavam mais leve.

Naquele dia, trilhava um caminho antigo. Sem motivo aparente, estava ali. O que já fôra terra, mato e os sons de pássaros substituído por concreto, pedra, ferro, frio… como ele. Mas algo faíscou, súbito, por trás de seus olhos de fibra e vidro. Talvez algum elástico ou correia arrebentara, porque aquilo era um impulso. Os estrondos de uma corrida desabalada ameaçavam rachar cada janela, cada vitrine, cada tela. Ele tinha pressa, sem saber porque. E correndo como desaprendera a fazer, ia se despedaçando. Não sentia aquilo, não percebia cada circuito e placa que queimavam, dentro de si. Os pedaços daqueles dedos que iam ficando, fincados e presos ao chão, enquanto arrancava pedaços imensos do concreto e asfalto, ao fim daquela trilha.

Era uma tarde de domingo, sobre a grama, quando das lágrimas erodiu-se a terra e surgiu aquele buraco que ele agora perdia tudo o que restava, para cavar. Sem motivo nem lembrança alguma, exceto da grama… a última faísca estourava de seu corpo num rangido agudo e tudo cessava. Mais alguns centímetros apenas… uma distância grande demais para continuar cavando.

Não morreu, porque não podia morrer. Mas desligou-se, em pedaços… sem alcançar o próprio coração.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Ânima *pulsando até os sonhos*

Sem eira nem beira…

Assim sentia-se, pois assim sempre fôra, realmente. Corria feito criança, mergulhava em sonhos de grama, lama, mato e barro e limo. Não se perdia em lugar algum, pois tudo era quintal no mundo atrás da casa, do prédio, da vida. Ah, sim, ele trazia muita vida atrás.

A eira, que não via da beira, pouco importava. Só impulso tomava e à lâmina deslizava. Debatendo braços e pernas, nadava. Nenhuma preocupação, fosse as pedras à frente, fosse a perda do calção. Simplesmente era, cheio de sorrisos raros e inocência sincera, das que doem quando se abre a boca.

Não haviam saltos. Ele se jogava no chão e errava, pra voar. Simplesmente se destraía demais, pra ver-se ir de encontro a algo tão sólido.

Era grandioso… e é, na verdade. Mas assim, diminuto, aproveita melhor o espaço que resta, então não faz questão de ser grande, pra poder descobrir cada fresta, rindo besta. Espera… mas não espera parado porque no fundo acha chato.

Não era nada e é tudo, ainda que por vezes mudo. Ainda que pareça supérfluo. Se alimenta de tolices, porque são doces.

Espera… mas não muito, porque desperta quando quer.

É criança, é besteira, é bufão… me rasga o peito.

I´m wearing my heart, like a clown.

  
+Howl and Calcifer+, de ~Orenji-kun no deviantART.