Aproximem-se, aproximem-se, inquiridores! Venham e contemplem, pois a bola de cristal da sempre deliciosa Van veio clamar por seis segredos do Rei deste Palácio Elétrico. Observem à fogueira, o crepitar da lenha que estala em revelações. Atentos, meus amigos, busquem os sussurros do vento. Aqui, todos nós, sob a copa onisciente da Árvore da Decisão.
Não estranhem quaisquer desses seis fatos... ou outros tantos estranharão vocês.
1 - No terceiro ano do segundo grau eu soltei a voz no festival do colégio (Fest&Art) junto com duas colegas de classe, para cantar "Stand by me". Isso me rendeu uma stalker, que pegou meu telefone com algum amigo na platéia e ficava me ligando em casa pra atentar-me o juízo. Demorei a criar coragem para ir encontrá-la, mas eventualmente cedi à curiosidade. Não me arrependo nem um pouco.
2 - Já perdi tanto sangue, em um incidente entre um prego de construção e o meu pé esquerdo, que tiveram de ligar uma veia do meu pai direto à minha, para uma transfusão de emergência. Já quebrei tantos ossos tantas vezes que acho que gesso corre no meu sangue.
3 - Minha barba tem histórias que vão desde a expressão "Jesus Cristo exagerou na Santa Ceia" até o espanto "Que coisa mais esquisita, rapaz! Tem partes da sua barba que são ruivas. Coisa de vira-lata, isso." Transferi minha vaidade e cuidado do cabelo para a barba, o dia que notei a calvície avançando um pouco demais, pra minha idade.
4 - Comecei a ler muito cedo. Meu irmão e uma prima tiveram a idéia de querer me alfabetizar assim que eu comecei a falar. Minha professora do C.A. me arrumava livros infantis pra ler, enquanto os outros alunos aprendiam o abecedário. Aos 11 anos eu comecei a atacar a coleção completa de Júlio Verne, da minha mãe. 20.000 léguas submarinas é um dos grandes livros da minha vida.
5 - Sempre que posso, fujo do Rio de Janeiro no carnaval. Não suporto o trânsito, não gosto de samba, não é o meu tipo de festa. Há poucos anos, no entanto, tive algum tipo de crise e quis sair pela rua pra procurar um bloco e ver se me divertia. Num batuque mais forte, quis crer q era rock e comecei uma rodinha. Voltei pra casa convencido a odiar carnaval um pouquinho mais, no ano seguinte.
6 - Não importa o quanto eu chie de estar trabalhando demais, não seria tão bom de qualquer outra forma. Workaholic, com certeza, mas ainda prezo pelo meu tempim. Faço questão de tirar a hora e meia do meu almoço sem pentelhações e problemas outros... a menos que esteja em cliente. Aí, não dá pra saber quando eu posso (e quero) parar. Adoro o quanto minha abordagem transparente, no trabalho, me torna praticamente imune às picuinhas de gente pequena.
E assim, senhoras e senhores, este vagante deixa as chamas se fazerem brasas, ouvindo os passos pesados da Besta que afasta-se de volta, até os portões nucleares e de volta para seu trono. Não percam-se por tempo demais, nestas palavras. Sob o olhar deste Andarilho, seis fatos são bem pouco... como 101 tbm o foram, antes.
Sob a copa da Árvore da Decisão, despeço-me.
