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quinta-feira, 26 de junho de 2008

Transitologia *meio insano, meio tolo*

O trânsito é algo brutal. Todas as grandes capitais do Brasil e do mundo sofrem com o tempo que ele custa, os atrasos e a insatisfação de filas imensas de carros pelas ruas, tentando se apertar em direção ao trabalho, aos estudos ou ao que quer que seja. Mas me pergunto em quantos lugares ele pode ser tão incômodo quanto por aqui. É tudo um problema com a escrita, sabe? Não? Então você deve ser dessas pessoas sortudas que não lêem o que está escrito à frente. Isso mesmo, “à frente” leva crase.

Não, não vou cobrar que a média da população brasileira saiba de cor as regras de uso da crase, disso eu já desisti. Alguém algum dia decidiu que a crase é um agudo afrescalhado e, seja quem for, está conseguindo convencer cada vez mais pessoas. Esqueça as musiquinhas idiotas que você decorou para suas provas e cursinhos. “Se quando eu venho, venho DA, quando eu vou, craseio o A. Se quando eu venho, venho DE, quando eu vou, crase pra quê?” Está bem, coisa assim é difícil esquecer, concordo. Mas já desisti de brigar por esse pobre e menosprezado acento. Que se dane a crase, ela é uma causa perdida.

De qualquer maneira, os erros ortográficos no trânsito não são piores que o tom de certas mensagens. Uma kombi outro dia me falava que “Não sou rico, só trabalho muito”. Fiquei um tempo pensando na mentalidade que leva a uma oração desse tipo. De alguma forma, fomos ensinados a crer que ter dinheiro e uma vida confortável nada têm a ver com o trabalho. Todo rico é trambiqueiro, safado, ladrão e cretino. Chamar alguém de rico é uma verdadeira ofensa, aliás. Acho que o problema é antigo. “Mais fácil um camelo passar pelo olho de uma agulha que um rico entrar no reino dos céus” é tudo o que vagabundo quer ouvir, não é mesmo?

Voltando ao trânsito, entretanto, a grande campeã das ofensivas leituras de traseira se multiplica pelos táxis de todo o país: “Cuidado. Táxi sujeito a paradas repentinas. Dirija defensivamente”. O aviso é claro e sincero, convenhamos. É praticamente como se o taxista estivesse em cima do carro, sacando o florete e gritando EN GARDE. Se ele te manda se defender, é porque ele vai atacar. Ah, se vai! E pode ter certeza que será impiedoso - e sem seta. Muitos taxistas, aliás, devem ter sua genealogia traçada de volta à linhagem de Genghis Khan, não é mesmo? Se for esse o caso, vamos aprender Kung-Fu, meu amigo motorista. Somos chineses, afinal.

 

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Publicado na edição de junho do fanzine Elefante Bu. (veja o link na barra lateral) Mais uma, aliás, cheia de ótimas e interessantíssimas leituraS.

5 comentários:

Tyr Quentalë disse...

Sabes muito bem como sou fã de suas crônicas, não sabe?
Esta em especial, ficou muito gostosa de ler, despertando o riso gostoso ao chegar nas conclusões.
Que todos gostem de mais esta crônica meu amado, pois mereces todos os elogios por suas crônicas!

iara disse...

hahahahah
amei !

mas o meu adesivo preferido é

Deus é fiel!

vc conhece algum deus infiel???rs ..pois é...adouuro

bjs

Paola disse...

hehehehehe
Que legal!
Ensinando chinês...ops!
Português! Rá!
Bjos

D'angelo disse...

O pior de tudo foi a multa que tomei ontem.
:(

Nanda Nascimento disse...

Você descreve como ninguém os atropelos da sociedade, fatos cotidianos, que se tornam significativos, sem perder o humor é claro.

Beijos Troll e flores!!!