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segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Travessuras II de III

- Leia a Parte I
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well, de =bagnino no deviantART.

A respiração profunda talvez o entregasse, se houvesse alguém olhando. O olhar fixo certamente o faria. Fato era que não conseguia mais deixar de vê-la. Tinha os traços delicados da mãe, mas ficavam ainda mais belos desenhados em pele tão nova e lisa. Imaginava-a ao toque como seria um pêssego.

Suas mãos ainda separavam pedras, ervas e raízes, sentindo a terra por entre os dedos, mas não com a mesma atenção. Seus olhos desenhavam aquele ser etéreo, tão ao longe, e sua mente percorria-lhe as pernas, carinhosamente. Deslizava sensações rudes da pele calejada e queimada do sol, por aquela beleza alva.

Trabalhava o solo agora quase como se acariciando-o, em meio a fantasias particulares. Não ousava erguer-se de como estava, ainda que ela sequer olhasse em sua direção. Sentia-se envergonhado em invadir-lhe a privacidade, com aquela fixação, e devassar-lhe tanto mais, com seus pensamentos.

Parte de si queria agir por instinto. Não havia mais ninguém ali e ela se houvera afastado o suficiente da casa, para que ninguém pudesse ouvi-la. Uma monstruosidade de si mesmo tomava conta daquelas fantasias e via-se numa fúria de arrancar aquelas roupas delicadas e rasgar da jovem sua inocência. Agarrava-se a raízes como se  àqueles cabelos claros. Devassava o solo, a própria respiração mais acelerada.

E ali, em toda sua contida fúria, ela o notara. E com o semblante despreocupado, como se não tivesse medo de nada do que pudesse adivinhar de suas intenções, sorria.

Sorria para ele. Aplacava a besta em suas entranhas, alimentando-a apenas daquela beleza, em meio à noite.

3 comentários:

Macaires disse...

Interessante como os sentidos estão intimamente ligados aos instintos, mas mais interessante é a forma como a sutileza desse sentimento pode abrandá-los, pelo menos por hora...

Um beijo, meu caro!

Tyr Quentalë disse...

Ainda nada direi meu caro bufão.. há ainda uma terceira parte para se ler e pensar em tudo que se desenha em suas letras e neste mundo mágico que está sua arte.

Wolf_Angel disse...

imagino um desfecho para um platonismo em menor grau.
sempre que há instinto é incisivo, há de agir algo maior, de fora pra dentro dessa vez