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quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Humildade… *ao calabouço*

Faz tanto tempo que ele mal se lembraria, hoje… mas foi tão marcante quanto inesquecível, não? O local era escuro, a música era boa, a noite era fria, os olhares nem tanto. Admiravam-na como a uma obra prima, enquanto correntes a prendiam à imensa cruz negra, no centro da pista. Os longos cabelos negros eram sua única defesa, sua única máscara, contra aqueles olhos curiosos.

Era sua primeira vez, ali, e dava pra ver como ela tremia, pobre bichano. Perdida entre a vergonha e a excitação, restava-lhe apenas a confiança em seu algoz. Não deixava-se tomar pelo pânico, havia sido treinada para ignorar todo o resto. Mas era difícil. Sorria, cada vez que ao circundar a cruz o olhar Dele buscava o seu rosto, mas escondia esse sorriso de todos. Ali, entre as ondas negras de seus cachos, era como se olhar algum daquela pista cheia ousasse penetrar.

Imóvel. Não impassível… cada arrepio, cada temor, tudo tornando-se aquele turbilhão. Os momentos longos que ele não a tocava, não cruzava sua vista, esses lhe seriam intermináveis. Mas um sinal a alcançava. A música ambiente trocada para algo de um ritmo mais forte. O DJ respondia ao que quer que seu Senhor estava prestes a fazer.

Nem um grito. Boa menina. O couro lambia-lhe a pele das costas expostas, os seios pendiam dores às pontas de firmes prendedores de metal, unidos por sua corrente. Mas Ele não a castigava, ali. Era por seu merecimento. Por sua dedicação. Ela sabia que cada tapa, cada chibatada, cada puxão em seus seios, trazia orgulho ao Mestre. Que cada marca aquela noite era uma medalha.

Eram toques de seu Dono, pq ela lhe dedicava tal posse. Sentira-se grandiosa quando a cada chicotada da longa tira de couro, respondia a Ele “obrigada, Mestre”. Apesar de toda a dor, da pele vermelha, eram provas daquela confiança, daquele laço. Eram impulsos de um prazer que queria lhe tomar, acima de tudo. Sentia as mãos de seu Dono em sua nuca, por entre os cabelos, e por pouco não ronronava.

O pânico. Gritava, enfim, e não era de agradecimento, mas pela surpresa… a dor vinha inesperada, o puxar forte à nuca e a cabeça caía-se para trás. Estava exposta, ali. Ele desnudara-lhe até mesmo a máscara, e agora cada um daqueles olhares vinha lhe castigar.

E a primeira lágrima rolava-lhe ao rosto…

3 comentários:

Valéria Sorohan disse...

Amo de paixão suas estórias. A força que vem delas é enorme.

Um beijooO*

Luciano disse...

Sempre bom passar por aqui e viajar, apenas viajar.
abração, man.

bete disse...

ai saudade. <3 bjs