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quarta-feira, 9 de junho de 2010

Pela floresta – parte II

- Leia aqui a parte I -

Ele percorria os painéis com os dedos, lentamente avaliando as leituras da tela. Os olhos esguios divisavam bem as cores fortes da nave à sua frente, apesar da distância. Rainha Vermelha era um nome apropriado, com certeza. O pirata quase lambia os beiços, tentando adivinhar o que ela carregava.

A Lupin IV era um tanto menor, em comparação. Navegava por aqueles asteróides com facilidade, oculta aos olhos, em suas cores de grafite e azul escuro. E ali, mesmo os radares normalmente deixariam de notá-la. Um mar de rochas, metais, poeira e ondas magnéticas.

A presa começava a girar sobre seu eixo. Ele pensava no quanto a jovem capitã demorara a obedecer as ordens do Comando, para mudar de curso. Estava claramente insatisfeita em ter de fazê-lo.

Não, ainda não era hora de dar o bote.

O computador começava a calcular a nova trajetória da nave escarlate em seus monitores. Teria tempo, até que deixassem o campo de asteróides.

***

Scarlet tirava o capacete irritada. A aceleração para o novo trajeto, às vezes interrompida pelo alerta de colisão e os motores de manobra acendendo, dando trancos, desviando do que quer que fosse. Mesmo ágil, para o seu tamanho, ainda era uma nave grande demais para atravessar os destroços àquela velocidade.

- Deve querer que eu envelheça aqui dentro, pra ficar igual a ela. – Rangia os dentes.

Arremessava o painel de navegação para o lado, fazendo com que ativasse o sistema de som. Talvez precisasse relaxar um pouco, mas queria ritmo para todo aquele balanço dos foguetes. O som começava, explodindo o ar à sua volta, na cabine. Ela quase sorria.

Fechava os olhos e estava em casa, novamente. Um lugar tão distante no espaço quanto na memória. Fingia sentir sua cama sob si, enquanto respirava fundo o que quer que o vento trouxesse pela janela. Tantos aromas e toques do ar da manhã. Seria manhã, lá, agora? Não importa, realmente. Estava em casa…

Um apito a trazia de volta. O som agudo do alerta de presença interrompendo a música e parecendo arrancá-la daquele momento à força. Ela buscava rapidamente a tela dos radares, com o canto dos olhos. Nada. Provavelmente apenas o reflexo passageiro de algum pedaço maior de minério, vagando por entre as rochas. A música voltava em seguida.

- … merda de asteróides.

Fechava os olhos, uma vez mais.


Pepper Look, de =thali-n no deviantART.

7 comentários:

Mirian Martin disse...

Ah, se ela confiasse em seus instintos e mandasse tudo às favas... ;)

beijoca

Troll disse...

MAMA:
E talvez não devêssemos todos fazê-lo? ;-)

Tyr Quentalë disse...

Obstinada, resmungona e dona de si. O Perigo a espreita e mesmo assim, a segurança que ela sente é apenas uma mera ilusão.

Valéria Sorohan disse...

Gosto muito dessa odisseia. Maldito apito!

BeijooO'

Troll disse...

TYR:
E a segurança que todos sentimos, pelos bosques da vida, não o é? Toda certeza pode desmoronar em um instante.

VALÉRIA:
Ignoramos certos apitos, às vezes pq é necessário. ;-) Bom que estejas gostando, linda. Vejamos a que rumos essa floresta leva.

D'angelo disse...

Agora estou percebendo seus textos...
: )

Troll disse...

D'ANGELO:
Algumas vezes, aprendemos a ler quem já conhecemos de formas bem diferentes, não é mesmo?