Bem-vindos à nova dimensão... seqüenciador de sonhos online.

domingo, 9 de março de 2008

O suspiro profundo, antes do mergulho *sibilando ao vento*

Ele cavalgava rápido, forçando sua montaria praticamente à exaustão. Não tinha escolha, não podia parar, ainda que a tempestade tornasse o galope cada vez mais difícil e perigoso. Sussurrava algumas palavras à língua da floresta, para manter o cavalo sob controle, para atiçar-lhe com a urgência que precisava correr por aquelas planícies. Agiam como um, no saltar e desviar dos obstáculos que lhes surgiam à frente e nem a mata alta ou os piores declives podia fazê-los desacelerar.

Aeglos era um elfo da fronteira sul da Floresta Negra e vivera já seus primeiros séculos. Lutou na guerra contra o mal inominável, não muitos anos antes, e agora sentia seu coração e seu sangue gelarem tanto quanto àqueles tempos sombrios, em que seu lar quase fora tomado pela magia obscura. Os longos cabelos negros, a pele não tão pálida quanto a dos Altos Elfos, as feições um pouco mais angulares e não tão andróginas. À cintura, o batedor trazia sua lâmina curta, à mão direita, a lança. Às costas, o arco com a bela corda trançada batendo contra a sela, naquele galope urgente.

Durante toda a noite, ainda que se forçasse a não parar, podia sempre ouvir os galopes atrás de si, ecoando pelas árvores e soando pelo campo aberto. E ele sabia que seu animal não agüentaria tal ritmo por muito mais tempo. Morreria de exaustão, por seu cavaleiro, mas não pararia. E àquela noite, nas bordas de um bosque esparso, Aeglos precisara parar ou sabia que não amanheceriam dando mais um passo sequer.

O vento uivava em meio às folhas e apesar de sentir-se bem, entre aquelas árvores, ele tinha o descanso interrompido por sons que não saberia dizer se realmente ouvira. As sombras naquele lugar se moviam, tornadas quase como invisíveis pela lua nova. Ele arrepiava-se e alcançava a lâmina curta à bainha, mas sua visão aguçada nada conseguia encontrar.

O soprar daquela brisa gélida trazendo um cheiro novo, em meio à floresta, e Aeglos finalmente descobria em que direção olhar, quando já era quase tarde demais. Aquele ser negro como as sombras, em suas vestes rôtas e seu respirar sibilado já se aproximava tão rapidamente que o cavalo praticamente saltou de pé, ao mesmo tempo que cada poro do corpo do elfo reagia. Era um dos Nove, e trazia a lâmina já desembainhada.

Seus pés na corrida desabalada e ainda podia ouvir os sons do animal que debatia-se, agonizando desde o golpe daquela sombra. Os silvos e aqueles gritos agudos que arranhavam-lhe os ossos, ecoando por cada pedra daquele lugar. A ferida ao braço, latejando de uma forma canhestra. Aeglos tentara se defender do primeiro golpe, apenas para perceber que lutar não era uma opção.

Precisava alcançá-los. Precisava dizer a alguém... o Andarilho Cinzento precisaria saber. Os Nove caminhavam pela Terra Média.

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Taí, eu nunca havia escrito uma fanfic (conto baseado em uma obra famosa, escrito por um fã), mas estava vendo O Senhor dos Anéis na televisão a cabo e bateu a vontade. Espero q curtam.

4 comentários:

Tyr Quentalë disse...

Ai que Saudades trouxeste de minha Barda e guardiã de Arda. O conto tão bem escrito, leva-nos a correr junto com Aeglos, temer o que vem ao encalço e desejar encontrar o Andarilho Cinzento para que as notícias corram com os ventos do mal que caminha sobre a Terra-Média. ai que saudasdes me deste meu amado, de mais uma vez deitar meus olhos à floresta dourada, e até emsmo andar com cautela na floresta negra.

Carolzita! disse...

Obrigada pela visitinha ao meu blog. Volte sempre!!

beijos

iara disse...

brigada pela nova visita!
vc escreve muito bem!
aindei lendo o blog recanto das letras.
já publicou algum livro?
se não publicou deveria!

Bridget Jones disse...

Troll,

Não sou muito adepta a esses contos de fantasia e tal, mas achei muito bem escritinho! Sempre que venho aqui acabo querendo ler algo do tipo, mas nunca me dou ao prazer de fazê-lo. Vou me esforçar mais.

Abração.
Te esperamos no Para-Raio!